quarta-feira, 27 de julho de 2011

"Mulheres são de Vênus"


Vivem me perguntando por que as mulheres são tão complicadas. Eu sou obrigada a concordar que sim, nós somos complicadas. Não sei se são todas assim, mas as mulheres costumam ser menos objetivas que os homens.

Comecei a questionar minhas atitudes sem motivo durante o dia e me dei conta que muita das coisas que faço não tem nenhuma explicação. Por exemplo, percebi que tenho o péssimo hábito de querer que os outros adivinhem o que me chateia. Fico parecendo uma criança embirrada, que fecha a cara e cruza os braços até o pobre coitado do namorado se desdobrar em 1000 e descobrir por tentativa e erro do que se trata.

Percebi que também tenho mania de enfiar defeitos onde não têm. Pois é, quando tudo está maravilhoso, minha cabecinha simula sozinha uma situação em que eu possa tirar proveito para tornar tudo uma merda ambulante. Por quê? Só Deus (e meus hormônios) sabem.

Como eu já disse, além de todas as minhas manias, eu também sou chorona. Então imaginem só: eu crio o problema, eu dramatizo o problema e depois eu choro (ou de culpa ou de raiva) por conta de uma situação que eu inventei.

Sinceridade? Eu tenho um pouco de pena dos homens às vezes. Nós, mulheres, podemos ser ótimas, decididas e corajosas, mas também podemos ser absurdamente voláteis e escorregadias. E então eu me pergunto: por que o sexo feminino tem essa mania constante de se auto boicotar? Por que nós começamos a dieta na segunda e vamos almoçar fora na terça? Por que nós terminamos com aquele cara gente boa e atencioso para ficar com aquele que pisa na gente, só porque “gostamos dele de verdade”? E por que gostamos logo dele de verdade? Por que temos mania de fazer com que as roupas caibam na gente e não a gente nas roupas?

Cabeça de mulher é um labirinto. Entre nós podemos ser altamente fiéis e cúmplices como também podemos ser altamente competitivas e traiçoeiras. Com os homens temos, muitas vezes, o péssimo hábito de tentar parecer melhor do que somos. Gostamos de ouvir as experiências das outras e os conselhos, mas nunca levamos ambos em conta quando temos de tomar a decisão. E sem esquecer do seguinte detalhe: nunca seguimos nossos próprios conselhos.

Por milhares de vezes eu me calo para ouvir meus pensamentos e muitas dessas vezes eu me sinto ainda mais confusa. No final, eu sempre dou uma risada e peço desculpas para alguém. E além disso, sempre acho graça na intensidade que nosso corpo responde a mundo, e lamento por aquelas que nunca passaram ou passarão por tudo que eu passo e já passei.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ultrapassada

Depois de longo e considerável tempo distante, resolvi retornar. Senti imensas saudades das palavras escritas com zelo e dos dedos correndo no teclado enquanto uma nova história é contada. Venho agora com planos diferentes. Deixarei aqui não só meus textos cuidadosamente escritos como também pequenas peças do meu dia-a-dia. A intenção é que tudo fique com mais cara de um diário pessoal.
Inicio esse processo hoje declarando que, por mais piegas que pareça, descobri que a felicidade reside nos meus olhos e no meu coração com tamanha intensidade que eu achei que não seria possível eu me sentir assim.
Ok, ok... pode me chamar de "mulherzinha". Pois é isso mesmo que sou: uma "mulherzinha"! Eu sou chorona e me emociono com as mais simples palavras de afeto. Um momento comum que me chame a atenção pela sua sinceridade me arranca lágrimas tão facilmente como de uma criança que acaba de ralar o joelho no chão de cimento da escola. Essa sou eu: emotiva, apaixonada, sensível e complicada.
Que graça tem as mulheres comuns? As que não sentem ciúmes, inveja, medo, insegurança? Na verdade, essas que não sentem isso são as incomuns, não as comuns. É isso aí. Podem me chamar do que quiserem, mas as mulheres de hoje têm se esquecido de ser só mulheres. Sejam só mulheres, nem que seja escondido, já que hoje o chique é ser independente, insensível e totalmente seguras.
Porém, não vou me delongar nessas questões, mesmo que eu ainda tenha muito o que dizer, já que os radicais desse nosso momento de "revolução dos valores" poderiam me levar a mal. Sabe como é, como amante e cúmplice da História que sou, eu adoro revoluções, e quebrar paradigmas, e mudar o mundo! Mas no fundo, às vezes um pouco conservadorismo faz bem.
Em nome disso eu estou aqui, admitindo que meu maior sonho é me casar. Não quero ter filhos, isso não. Mas quero meu casamento perfeito. Quero me casar de branco com um vestido de princesa. Não abro mão. E também não me importo que tudo isso pareça ultrapassado, afinal, ser ultrapassado hoje é que é ser arrojado, certo? Eu ainda quero ganhar rosas e chocolates, eu ainda quero namorar na roda gigante e cozinhar para o meu namorado... e ainda bem que eu tenho tudo isso, pois a minha felicidade tem estado aí.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Alienígena


O tempo tem corrido de mim, por isso não tenho passado muito por aqui. Mas vim em missão de paz e em busca de sossego.

Minha atual localização me provoca desconforto. Não se trata do ônibus sardinha que eu pego dia após dia. Trata-se de pessoas.

Sinto-me um peixe fora d’água. As pessoas são ótimas, majoritariamente, mas não são as minhas pessoas. Eu as quero todos os dias, a todo o momento. Principalmente às segundas-feiras. Mudanças exigem adaptação, e essas muitas vezes exigem tempo. Não sei não. A teoria me empolga, mas o social... bem, talvez seja medo. Ou saudade. É, saudade. E medo também. De perder as minhas pessoas. Gostaria de pedir que elas não fossem embora. Eu quero pessoas novas, mas algo está errado aqui e, infelizmente, eu não sei o que é.

O tempo terá que correr ainda mais...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Bagagem


Acabaram os tempos de colégio. Os tempos agora são outros, a vida universitária me espera. Depois de um ano de surto, consegui alcançar meu objetivo. Foi e ainda é uma felicidade imensa. Algo que toma conta da gente, como se cada uma de nossas células gritassem o quanto aquela vitória é pessoal e única.
Sei que tudo mudará. Até o momento não sinto falta da escola e das pessoas, afinal, aqueles que realmente gosto permanecem comigo. Aqueles que não permanecem, não merecem minhas saudades e minha amizade.
Parto para essa nova etapa levando comigo amigos. Não colegas ou companheiros de farra. Amigos. Por isso não há medo de perder contato, não há medo de lamentar a falta de alguém. Meus amigos estarão comigo, afinal, os amigos do tempo de colégio estão sempre entre os melhores amigos de toda a vida.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Um breve adeus


Os últimos meses foram loucos. Loucos de forma ambígua, devo admitir. O cansaço se misturou a tristeza de despedir-se de quem não veremos nunca mais. Misturaram-se também as alegrias das últimas músicas e dos últimos brindes juntos. E depois, um novo começo que logo teria fim. Os resultados tão aguardados, o descanso tão desejado... chegaram, todos eles.
O sentimento, assim como toda a loucura e agilidade, é também ambíguo, intenso. Um frio na barriga é impossível de ser evitado, mesmo que haja imenso fervor pela descoberta do que ainda vem por aí. Nós perdemos uma família. Daquelas em que há, inevitavelmente, os mandões, brincalhões, espertos, traidores, sorridentes, amigáveis. Daquelas em que há os parentes distantes, com os quais os assuntos travam ou rendem absurdamente quando decidem acontecer. Há também brigas, puxões de cabelo e insultos. Família é família, certo?
E é assim que me sinto. Enfrento agora caras novas, casa nova. A partir disso, não se formará uma família com a que eu acabei de deixar para trás, mas se formarão amizades e conhecimentos. E destes nascerá um futuro.

domingo, 23 de janeiro de 2011

I'll be back


De volta em 25/01/11.
Permanentemente online em http://cubomagico-c.tumblr.com/

sábado, 13 de novembro de 2010

Loja de departamentos

Estávamos no shopping. Em uma daquelas lojas de departamento, para ser mais exata. Esperávamos minha mãe terminar de fazer compras assentados na seção de sapatos. Eu com um mau humor típico de TPM e ele com tanto sono que me lembrava o Soneca.
Estávamos ali e só. Juntinhos, abraçadinhos. Ele com o nariz na minha nuca sugando todo o perfume que ali existia enquanto eu, com uma cara de bunda sem motivo, passava as unhas devagar no braço esquerdo dele. Na minha cabeça havia um vazio, na dele provavelmente não havia nada, pois devia estar quase cochilando.
Ele me contou uma versão de “Três porquinhos” que me fez rir. Contou uma versão pornô de “Chapeuzinho vermelho”. Me abraçou forte e disse que queria ficar juntinho. Disse que queria ficar juntinho para sempre. Disse que até a mãe dele acreditava que havia chances de que nosso casamento do qual ele tanto fala aconteceria. Disse que me amava.
Ele não via o meu rosto quando disse essas coisas pela posição em que nos encontrávamos. Mas eu acho que, pelo meu silêncio e por saber o quão bobona eu sou, ele percebeu que meus olhos estavam cheios de lágrimas.
Sim, eu fiquei tomada por aquelas coisas bobas que ele vive dizendo, mas que por motivo nenhum me deixaram com um buraco no peito, como daquelas vezes em que a emoção é tanta que você perde a fala. E ficamos ali, eu segurando o choro sem-sentido e ele rindo da minha cara. Ele me abraçando e eu escondendo o rosto.
Depois olhei para ele e ganhei fala para dizer que eu o amava. Ele me chamou de ridícula e perguntou por que eu tinha chorado. Aí eu percebi que era porque tudo que eu sonhava, tudo que eu queria e que duvidava que aconteceria, estava ali comigo. E não estava só naqueles dez minutos, mas tem estado por mais de seis meses. E o buraco era a minha agonia por ver que talvez eu perdi a razão de ter medo.
Eu repeti que o amava. Repeti meio apreensiva, mas sem medo. Naquela hora eu esqueci que tem muita coisa por aí que é mentira. Aquela hora passou a ser o que eu pretendo levar comigo toda vez que eu duvidar de alguém, mesmo sabendo que eu posso estar errada.
Como sempre, ele nunca permite que nossos momentos amáveis terminem amáveis. Seu comentário excessivamente masculino me fez rir e nós começamos a falar dos casos antigos dele. Nós disputamos o iogurte, fizemos bagunça, fizemos drama e nos despedimos.
Eu não sei se chorei pela TPM, mas sei que foi a primeira vez na vida que chorei por alguém sendo o motivo algo bom. Foi a primeira vez que chorei por ele sendo o motivo algo bom.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Peculiaridades (excessivas) do vestibular

Quando pensamos que tudo acabou, quando saímos exaustos depois de dois dias e 10 horas de prova e sorrimos aliviados, quando respiramos e nos preparamos para a nova fase, acontece aquilo que literalmente está para foder todo o processo. Diria que meu ano, meu último ano escolar, aquele que faz você engordar mil quilos ou ficar sem comer dias, aquele que te deixa sem dormir, desorientado e bitolado de tantas informações, pois é, logo o meu ano, o meu vestibular, teria que dar problema.
Com vendas nos olhos quanto ao que acontecerá, cabe aos pobres coitados dos estudantes arrancarem o resto dos cabelos e roerem o resto das unhas ou então desligar de tudo e tentarem ficar tranqüilos. Para o bem da minha família, do meu namorado e daqueles que convivem comigo todos os dias, optei pela aparente opção dois. No fundo, a um reina, mas o reflexo fica na minha ansiedade, na minha boca que não para de mastigar e nas minhas banhas que não param de aumentar. É, ossos do ofício.
Ainda assim, minha felicidade reina. Menor carga horária, mais tempo para os projetos paralelos e estudos direcionados para o que eu realmente gosto.
Nós estudantes, no Brasil, deveríamos ser menos acomodados e gritar aquilo que nos desrespeita. Porque o nosso presidente diz que serão feitos quantos ENEM’s forem precisos, então eu pergunto: o nosso presidente tem ciência do quanto é desgastante para nós fazer o ENEM?
Cabe a discussão, cabe o protesto e cabe dizer às autoridades responsáveis que injustiça é obrigar todos aqueles que fizeram a sua parte, que não querem refazer a prova a repeti-la por um erro que não cabe a esses estudantes. Isso sim é injustiça.

domingo, 24 de outubro de 2010

Mais um drama banal


Talvez nada pareça mais funcionar, pode ser que seja o cansaço, o estresse ou a falta de paciência frequente por aqueles mesmos motivos de sempre e que não vão mudar. O corpo responde, se cansa ainda mais, os músculos travam, olhos olhos se fecham...
Você sabe que vai passar, mas por que demora tanto? Vai e tenta se distrair. O filme fala com você, e enquanto seus pais soltam gargalhada da comedia romântica, você tem vontade de sumir. Não, melhor não. Vai procurar algo para ler. Os textos falam com você. Ok, não seja tão radical.
O tempo vai passando, e mais tarde o telefone fala com você. Mesmo que circunstâncias não estivessem agradando, você acha graça, mas só daquela vez.
Passou.
Acorda no dia seguinte, humor incrível, café da manhã reforçado, está só em casa e precisa estudar. Antes de tudo, lava o rosto com a música mais baranga que tem tocando no talo. Dança frenética, ajeita o quarto e decide só acalmar os ânimos para poder se afogar na matemática comercial e na geometria.
Quinze minutos, algumas letras digitadas e está pronta.
Passou...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A busca incansável pelo novo

No melhor estilo “Good times”, permaneci acordada até as três da manhã de sábado. Não me lembro ao certo qual foi a última vez que me transportei ao passado para contar detalhes. Foi delicioso, se quer saber. E o motivo de tamanha satisfação é ver que estou no lugar onde menos esperava estar, na verdade estou onde repugnava estar. Talvez nos meus desejos mais profundos, obscuros e secretos eu pensasse em algo próximo do que vivo hoje. Mas, contar para alguém? Jamais! Era o tipo da coisa que se tem vergonha de pronunciar em voz alta.

Ironias à parte, cá estou. Esperando pelo vestibular, sofrendo a ansiedade em cada micro pêlo do corpo. A falta de tempo sobra e transborda. Mas persisto, cheia de vontades e olhando para o futuro com sede dele de uma forma que nunca fiz.

Sinceramente, tenho feito somente o que nunca fiz. E tem sido bom.

Das próximas virão crônicas, contos ou algo que não fale de mim. Cansei, meu “eu” será expresso de outra maneira mais conveniente ao momento.

Continue na espera.

sábado, 18 de setembro de 2010

Contagem regressiva

O tempo está correndo demais, mas se fosse possível, talvez fosse melhor se ele corresse ainda mais nesses últimos momentos. Se querem saber, eu anseio pelo fim desse ciclo, rápido. Sei que há chances de que eu me arrependa disso mais tarde e sinta saudades. Eu sei, eu sei. Mas meu imediatismo fala consideravelmente mais alto agora. Penso que a causa disso seja o cansaço incalculável com o qual eu convivo todos os dias durante todo esse ano e principalmente agora, na reta final. “Eu quero férias!” – e de pensar que só as terei no final do mês de janeiro. Pois é, nada de estar de férias no natal e no ano novo.

Fui convencida a fazer o serviço direito só para não ter que repetir isso tudo de novo. Estou cheia de planos, cheia de vontades, cheia de idéias. Mas não tenho tempo para nada a não ser livros por agora. Triste? Aham, muito. Porém, segui o conselho da mamãe e passei a fazer mais e reclamar menos. Vale a tentativa para ver se tudo acaba mais rápido.

Estou afundando ainda mais a cabeça e colocando um ponto final. Sem vírgulas. Meio confusa, meio indecisa, mas convicta de que aguardo o fim. Quero meus novos projetos, quero mais do que me matar para receber um boletim limpinho no final do ano.

Pretendo fazer uns testes aqui no blog, à pedidos. Já estou sondando, pesquisando e investindo. Aguardem!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Efeito defeito

Descobri por esses dias uma sensação nova; carinhosamente batizei de “efeito do defeito”. Digo-lhes do que se trata: efeito do defeito é tudo de mais estúpido que aquele certo alguém faz, que não é nada sedutor ou charmoso e que te faz colocar a mão na testa, fazer cara de desacreditado por curtir aquilo, sorrir e pensar: "eu estou apaixonado, fudeu."

Desistam, não vou fugir do meu lugar comum atual. Vivo suspirando pelos cantos, arestas, ruas, mesas, cadeiras, privadas, camas, mesas e banhos. E mais abestalhada do que nunca, persistirei fielmente tentando convencer a todos a serem bocós também. Portanto, camaradas, estejam prontos para derreterem seus corações ou vomitarem.

Encontro-me num dia típico de pré-vestibulanda: dia inteiro na escola, sensação de sujeira da cabeça aos pés, almoço meia-boca, prova depois de aula e dever depois de sobremesa. Indigesto? Mais do que você imagina. Porém, como um vício frenético, essa telinha acoplada ao teclado gritou por mim e mesmo com os olhos cansados e o siso brotando dores curiosas, eu enfrentei mais leituras e letras. Admirem a força de vontade, vai!

Conclamo agora que venham comigo caso sejam adeptos do efeito defeito.

“Já passam das 23:30. Nós acabamos de desligar o telefone. Nos despedimos, como sempre. As mesmas palavras, o mesmo tom de voz. Por algum motivo eu parei para pensar no quando eu gosto disso, no quanto isso me conforta antes de dormir. Sempre que desligamos, eu me acoplo no cantinho da cama, dou um sorriso besta e acabo por dormir sem reparar. Tão bom e tão banal...

Eu fecho os olhos e penso em futuros, penso em sacanagens, penso em romances bobos e mãos dadas. Eu acordo no dia seguinte e ligo para te acordar. Escuto uns resmungos, digo que te amo. Outro sorriso besta. Pergunto-me a que ponto chega a estupidez de um ser humano apaixonado. (me dou conta, agora, enquanto escrevo, que mais ridículo do que isso não fica.)

Ficamos meio asnos, mas ainda acredito ser um playground para o coraçãozinho.

Assisto aula, vou para casa, almoço e hoje é sexta-feira(!). Uma pestana, umas lidas aqui e acolá, banho, dez peças de roupa jogadas sobre a cama. Depois de uma longuíssima (nossa!) semana, eu vou matar as saudades.

Eu gosto do seu abraço, gosto das suas orelhas e do seu pescoço. Gosto da sua falta de jeito quando derruba as coisas, gosto da suas tentativas de me agradar e acho graça da sua chatice que você nem controla porque não percebe. Eu gosto de você. Gosto mesmo.

Não gosto de despedidas, mesmo você me ligando 30 segundos depois para conversamos enquanto você anda até em casa.

Fui dormir e chorei. Chorei de problemática que eu sou. Chorei porque caiu a ficha do meu estado débil-apaixonada. Chorei porque quero ter seu abraço a hora que eu bem entender. Chorei porque não ligo para os possíveis ônus. Chorei porque achei bonitinho a bagunça que você fez para comer. Sorri porque reparei: efeito defeito.”

domingo, 15 de agosto de 2010

Motivos

Peço desculpas desde já pelo prolongado tempo sem escrever por aqui. De início também já adianto que os assuntos são muitos; não pelo tempo, não pela novidade, mas sempre pelas mil e uma coisas que borbulham quando eu escrevo. E escrever, agora, me lembra algo meio nostálgico, visto que no último mês retrocedi uns dois anos e meio, tempo este que eu desconhecia o desabafo escrito e sábio e geralmente optava pelo diálogo, que às vezes é prematuro demais para ser dito. Admito exatamente neste momento que (re)aprendi o quão sou inevitavelmente dependente das letras combinadas para que as engrenagens do cérebro e do coração funcionem juntas em devida sintonia e de forma propícia, sábia, calma e com tal especialidade que com freqüência está presente, mas que nas últimas semanas esteve ausente.

Seria mais prático que enumerasse o que tenho a dizer. Porém, não é de praxe meu ser direta, óbvia e pouco confusa frente aos cotidianos simples. Justamente e unicamente por esse motivo, eu e o meu dom com genética de defeito, deixaremos as coisas as mais complicadas possíveis.

De introdução, digo que a trilha sonora que toca no momento, ecoando dos fones para dentro de cada uma das minhas células, trata de amor. Desde o amor-fossa até o amor-sujo. Dos podres aos bons, permaneço eu e minhas músicas.

Escutamos de amor para falar de amor, ou algo semelhante a ele. Anteriormente já me perdi em dicionários e “googladas” na minha tentativa de descrever o que eu continuo crer ser indescritível. Sem fugir do clichê, sim. Falemos então do que o coração está cheio.

Com estatísticas aproximadas, pois exatidão não é o meu forte, afirmo com franqueza que pensei cerca de 5 vezes em fugir de casa e do mundo; chorei de 15 a 20 vezes por motivos tolos e não tolos; senti desespero por falta de tempo de 8 a 10 vezes; pensei em finais possíveis para a vida todos os dias antes de dormir; senti que estava apaixonada pelo menos uma vez ao dia; quis matar alguém umas 3 vezes; quis me matar 2 vezes; apelei para Deus em um quinto das vezes que chorei; senti saudades absurdas 7 vezes; senti saudades aceitáveis de uma a duas vezes na semana; quis parar o tempo umas 3 vezes; quis passar o tempo 2 vezes;nunca na vida usei tanto o telefone; nunca na vida tive tanta dificuldade para discorrer um texto; nunca na vida me senti tão feliz com um simples gesto; nunca na vida havia invertido meu humor num prazo de 5 minutos como fiz. Dados estes referentes ao último mês.

E desses e de muitos outros dados, concluo que definitivamente voltei a sentir os arrepios, a raiva, os ciúmes, o coração pular pela boca, os olhos com vontade de encher-se d’água... me entreguei novamente àquilo que eu conseguira esconder tão bem durante um ano. Entretanto, permaneço num vai e vem constante de interrogações e exclamações de fontes diferentes que afirmam e perguntam se vale à pena. No momento penso que sim, mesmo que as palavras aqui escritas acompanhem mais algumas gotículas lacrimais sem ou com sentido.

Se voltei a ser impulsiva e sentimental, digo que passei a ser chorona. Não me lembro de ser chorona... talvez uma vontade, um aperto no meio do meio do coração... mas as lágrimas não costumavam cair com facilidade. Pois bem, agora elas caem e são incontroláveis. Uma merda, não? Encontro-me aqui, numa contradição ambulante que de um lado diz detestar sentimentalismos baratos e do outro lado... bem, do outro lado há alguém totalmente perdida e desconfiada, mas inexplicavelmente apta a arriscar a cabeça em nome de um abraço apertado e aconchegante.

Chegando nesse ponto crucial, lembro-me com facilidade do porque continuo e persisto. Tem nome próprio, às vezes não presta, ás vezes irrita, ás vezes fala o que não deve. Nada que eu também não faça. O que não sei se faço é o que ele me faz.

Registro aqui meu depoimento suspeito de uma amante de bons abraços, boas conversas e bons tempos gastos: isso basta, isso vale a pena, isso me completa por hora.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Número dois - Lia

Costumava ser mais prática. Costumava ser mais esperta e mais rápida. Bem, pelo menos pensava ser. Agora, ando mais lentamente, às vezes, com freqüência considerável, eu paro. Estou parada agora. Estagnada no tempo. O movimento de fora me dá certas dores de cabeça e náuseas. Quero falar uma meia dúzia de palavrões e usar um deles para ir embora, de tal forma que não me procurem mais.
Meu nome é Lia. Simples, curto, prático – como eu era e deveria ainda ser. Mas não sou. Não mais. Infelizmente.
Não há volta, só há essa minha ida sem fim a lugar nenhum que só tem um nome próprio e estúpido que tomou minha mente. E aí eu descobri que debaixo do meu corpo tatuado existe um coração de verdade.
Pudera eu arrancá-lo, assim evitaria as lágrimas que borram minha maquiagem escura e que tornam distantes as peças do meu quebra cabeça. Pensei em pular da janela do meu quarto. Tão convidativo, mas ridículo demais. E sinto a situação ainda mais banal quando vejo que meus motivos são tolos. “Deveria só ir até a casa dele”- eu penso. Mas não posso, ou posso... Faria lá o que realmente queria e perderia a noção dos dias, das noites, do tempo...
“Ninguém notaria mesmo” – diziam meus pensamentos que tinham a maior cara de idiota que já vi na vida.
Quando dei por mim já estava dentro do táxi, depois dentro da casa dele e do quarto... e minutos depois ele estava dentro de mim. Não que eu não tivesse o hábito de fazer isso sempre, mas geralmente ocorria depois de uns goles e com um desconhecido qualquer. Mas com ele não poderia. Eu nunca me apaixonei antes e tinha asco de gente apaixonada. Ironia do destino, agora eu deito ao lado dele e não tiro os meus olhos pretos daqueles olhos azuis.
Ele levanta a acende um cigarro. Gosto da forma como ele debruça na janela para fumar. Gosto da forma como ele anda até o banheiro e liga o chuveiro. Chego de mansinho na porta, ele sorri. Segundos depois eu me entreguei de novo.
Passaram dias. Muitos até. Nenhum de nós saiu para fora daqueles três cômodos. Não ouvi as milhares de vezes que meu celular tocou, não vi o nascer e o pôr do sol. Não vi nada, só vi os grandes e profundos olhos azuis olhando para mim.

domingo, 11 de julho de 2010

Eu, de novo

Há tempos que venho adiando combinar novas letras para postar. Não falta a vontade e nem o assunto, porém. Pelo contrário, ainda tenho muito o que falar com esse meu ponto de vista egoísta que só vê meu próprio umbigo e nada mais. Não reclame você que lê, pois a intenção aqui é falar de mim de tal forma que possa vir a te envolver. E admito ter ficado bastante satisfeita nesses dias para trás quando me divertia sã em meio de bêbados conhecidos que elogiaram minha humilde tentativa de escrever textos razoáveis.
O momento é de festas e bebidas. Diferente dos meus companheiros de idade, eu não curto nem um e nem outro. Mentira, retiro. Talvez eu goste de festas para comer salgados e doces gostosos e exóticos, sem esquecer da melhor parte: enquanto como, eu assento num canto e vejo os vexames dos ”bebuns” de plantão. É, tenho pensamento de gordinha e cabeça de idosa. Festas geralmente não tocam meu tipo de música, exceto por Lady Gaga, que vem sendo a única unanimidade atual no meu top 10. Então, não danço (quase nada).
Mas mesmo com meu pensamento de gordinha, meus gostos e hábitos idosos, meu mau humor quase constante, minha bundinha flácida e a forma como não gosto de tudo que meus contemporâneos amam – incluindo praia, sol, cerveja e axé-, meu namorado ainda diz que sou uma das mais fáceis de lidar. Agradeço e aprecio, claro.
E falando em namoro, digo que as coisas, surpreendentemente, têm estado divertidas. Continuamos com nossos momentos românticos em lugares estranhos como padarias, lanchonetes, livrarias e drogarias. Continuamos dependentes do telefone e ridiculamente babacas. Mas o que me espanta é a forma como isso ainda me diverte. Talvez sejam as partes menos românticas que tornam tudo menos monótono.
Os amassos no sofá da sala com o papai e a mamãe no quarto ao lado dão motivo para risadas; a forma como reservamos os melhores beijos para a despedida na porta de casa, para que possa ser um pouco mais quente, tendo certeza de que ninguém vai incomodar; o desejo absoluto que vem deixando meus neurônios de lado, ah, isso sim é resposta para diversão.
Contrabalanceando meus novos bons hábitos “de amor”, chega mais próximo de mim a responsabilidade do vestibular. Está pertinho, cada vez mais. Aguardo agora para repor as baterias nas férias e voltar para dar a alma aos livros.
Enquanto isso, persisto curtindo meus minutos com os amigos bêbados, com o namorado teimoso, com a família esquisita. Ninguém escapa, muito menos eu.

domingo, 20 de junho de 2010

O tempo que falta, mas não faz falta

Estranho é não ter tempo para nada e ter tempo só para dois ou três e estar mal cabendo em si de sorrisos. Sem tempo para escrever, sem tempo para a TV, sem tempo para sentir-se inconfortável com os comentários do pai, sem tempo para os filmes com a família na noite de domingo. Todo esse tempo é ocupado pelo telefone, pelos livros ou pelos beijos e abraços. Sendo o primeiro e os últimos um só responsável e o segundo uma obrigação necessária, mas não mais tão desagradável.
Minhas crises comigo mesma sem sentido nenhum aumentam a freqüência e eu fico feliz por isso. Talvez seja um sinal de que eu voltei a sentir o que estava guardado no baú dos temores. Mas fico triste também, não gosto das minhas crises e não sinto saudades dos meus tempos inseguros.
Eu sei que vai passar, sempre passa. Desde que permaneçam as saudades precoces, os arrepios, os sorrisos e os ciúmes. Quem liga quando paramos, eu e ele, ele e eu, no meio da padaria, ou da farmácia, ou da livraria e nos abraçamos como aqueles casais que acabaram de se conhecer. Não, nós não acabamos de nos conhecer e temos um passado que se opõe a tudo que acontece agora. Seria inimaginável, mas está cada vez mais real e agradável.
Na minha vida de pré-vestibulanda as coisas parecem caminhar bem. Acho que tenho andado por aí esse ano com amuletos da sorte, tamanha é essa boa fase que já vem durando uns meses.
Se tenho medo de que me vire e acabe num segundo? Sim, por que não? Já disse antes que é isso que torna tudo mais divertido.
Creio que preciso aperfeiçoar minha coragem de ser menos legal, porque talvez eu não seja tão legal assim. Mas acho que estou conseguindo contornar isso bem. Que eu diga atrasada, mas diga. E quando eu não digo, ou não faço, ou pareço indiferente ou irritada, não estou. Meu silêncio ou minha cara feia não diminuem o que sinto. Talvez seja uma tentativa burra da minha razão de afastar sei-lá-o-que.
Não sinto mais falta do meu tempo, estou começando a achar divertido o tempo que tenho que não é só meu. Sendo meu e dos meus pais, meu e dos meus amigos, meu e daquele com quem gasto horas no telefone, está tudo bem. É um bom momento, devo admitir.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Dos ruins, dos inúteis

Estou numa lanchonete esperando dar duas da tarde. Rabisquei o canto de um papel que estava amassado na bolsa na tentativa de colocar as peças no lugar e conseguir escrever o que quer que fosse.
Agora escrevo sobre o que fiz, mas não há como escrever o que faço agora, pois faço agora o que está lendo aí na tela. Escrever sobre o que estou escrevendo é escrever sobre eu esta escrevendo o que estou escrevendo... (?)
Parei. Não há nexo nisso. Sobre o que eu iria falar mesmo? Entrei no círculo vicioso de escrever sobre o que estou escrevendo e me perdi.
É, não sei. Estou meio fora de órbita e penso que essas últimas linhas estão chatas. Não vou reescrevê-las, não penso em nada melhor por hora.
Falemos então que estou com as partes traseiras avantajadas em um banco estofado não tão macio. O suco light de goiaba acabou, e eu nem sequer queria suco de goiaba. Queria coca-cola, mas a dieta me obrigou ao contrário.
Toca no som de fundo uma das antigas dos Backstreet Boys. Colei figurinhas no álbum da Copa do Mundo: na linha, na ordem. Sim, metódica.
Estou insuportável esses dias, “aqueles” dias. Sinto dó dos que me cercam, mas quando vejo, meus hormônios falam por mim antes que eu o faça.
Acordei amando, logo acordei sorrindo. Porém, minha inconstância possibilita que pela tarde isso tenha mudado. Mas pela manhã seguinte ainda estarei amando. Ando amando... corro amando, durmo amando, beijo amando abraço amando, falo amando. Mas sei lá se é amor. Que acorde eu sempre gostando então. E viva gostando e beije o amado, abrace o amado...
Pareceu sem sentido? Para mim também. Encontro-me sem sentido por esses dias...

domingo, 16 de maio de 2010

Quebra de sigilo

Ando pensando mais sobre as reviravoltas da vida e devo isso ao que vem acontecendo comigo. Sinto uma nostalgia absurda invadindo meu presente cada vez que olho para aqueles olhos de novo. Tanto tempo depois e, agora, tanta coisa diferente. Diria que a essência é a mesma, mas enquanto pensava na frase que escreveria após esta, me dei conta que o que mudou foi exatamente a essência. E a justificativa, a mágica está justamente aí.
Ainda há aquele clima de volta ao passado, e pejorativamente talvez um clima de retrocesso.
Mas não é bem assim, não é tão simples. É como se um passado absurdo e confuso ainda estivesse entre nós na intimidade que temos devido a ele. Mas agora – e “por enquanto” (coloco as aspas levando em conta meu pessimismo que não me abandonará mais e que coloca essas palavras na minha boca toda vez que penso em algo bom e possivelmente passageiro, ou não, e ainda assim causando boas sensações) – a intimidade veio para o lado do bem, ou do mau, no meu caso.
A inversão de papéis é aparente, ou não. E escrevo tudo com tamanha incerteza, pois é mais que perceptível pra mim que há mudanças, mas também não há. Isso torna tudo mais real, mais prático e nem um pouco seguro. Impossível seria eu não me arriscar, visto que já perdi o medo de visitar situações muito piores que as anteriores. E não deixo de seguir tentando algo que muitos não entendem ou não perdoam. Penso que nada posso fazer por eles, faço agora por mim, por mim e só.
O medo que ele diz para que eu não tenha, mas que eu insisto em ter, não muda a satisfação de poder dormir com o moletom “roubado”. Ás vezes acordo à noite e sinto o cheirinho bom, dou um sorrisinho besta e volto a dormir. Tanto faz se acabar daqui a dois meses, dois dias ou duas horas, afinal já durou dois anos bem estranhos. E digo que tanto faz não com tom de desdém ou indiferença, digo apenas porque quero que dure somente enquanto me fizer bem como faz agora e como não me fazia antes.
Gosto quando me liga, me abraça, me beija e quando é chato – se fosse legal o tempo todo teria mais certeza de que estaria mentindo. Gosto da forma como se abre e fala sobre coisas que não entendo absolutamente nada – paciência de Jó para tentar me explicar. Eu gosto, gosto e pronto.
Se for ou não mentira, ou absurdo, ou impraticável, ou inaceitável, que seja! Já houve o que fosse verdade, sonho, praticável e aceitável e causou também sofrimento. Não vale evitar, perde toda a graça. O que vale é sempre uma chance, mais uma, duas ou três. Tendo um bom sorriso diário, um frio na barriga e um aconchego, tudo vale.
E ainda nos perguntamos: “quem diria que seria assim?”

sábado, 1 de maio de 2010

Para falar dos detalhes que ainda não contei - Os últimos detalhes

Atravessou a rua respirando fundo para controlar seja lá o que estivesse dentro dela. Ela sabia que era grande, grande demais para o que era o esperado. Ela estava com medo, e no caminho a vontade era assentar num degrau qualquer e abrir a válvula de escape para liberar aquilo que tomava conta dos dedos das mãos que abriam e fechavam sem parar, como se tentassem liberar a tensão pelas palmas das mãos; tomava conta dos olhos, que olhavam para o céu na esperança de que um ventinho ajudasse a manter o que tinha que ficar dentro, dentro.
Seguiu caminho e agora ela se assenta na frente da tela, busca o CD do A-ha na estante e entra novamente no mundo das tentativas.
"Não foi dessa vez... "
Tentar esquecer, tentar desviar a atenção, tentar descobrir a forma certa de dizer ou de não dizer. Mas ela prefere ficar calada, correr o risco de usar as palavras erradas de novo não parece uma boa opção. Ela fala pra ela a medida que escreve cada vez com mais freqüência.
Escreverá até entender; o que não foi possível ainda.
Porém ela sabe que certas coisas a gente não entende, a gente pensa que entende, mas no fundo a gente deixa passar e depois não se lembra porque não fez nada.

(09/04/2010)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Número um - A Velha

Dona Josefa era mulher religiosa e correta. Sua cara de má, rígida e durona, nada mais era do que o resultado da soma dos anos que passou num colégio interno de freiras mal humoradas, seguido dos anos que serviu no exército.
Seu único filho era bonito demais para ser fruto duma mulher daquela. Diziam as más línguas que o rapaz era filho de uma sobrinha bastarda da velha que, por engravidar ainda menina, abandonou a criança. Mas isso pouco importava.
Os sentidos que se aguçavam quando o moço passava impedia as fofocas sobre o passado. Era alto, atlético e com olhos tão azuis como o céu. Seu sorriso era como um labirinto sem fim no qual todas elas se perdiam sem querer; e depois de estarem lá dentro, elas sempre desejavam que ele estivesse.
Era o “filhinho da mamãe”, único motivo de orgulho e felicidade da velha rabugenta com perfume de lavanda. Formado em direito, serviu o exército por um ano ou dois. Nada de defeitos: nenhum boato, nenhuma garota ele fez mãe, nenhuma briga de rua. Andava para cima e para baixo com uma moça tão estonteante como ele. Dona Josefa voltava do interior mais cedo numa tarde de quinta-feira. Ela havia passado uns dias com as irmãs na cidade natal. Com a pose afetada pela idade, a velha andava vagarosamente até o portão de casa pela calçada molhada com pedacinhos de folhas queimadas pelo sol. Abriu o portão com uma delicadeza que normalmente não tinha em seus gestos, foi até a cozinha com seus passos lentos a procura do filho. Não achou. Ouviu barulhos estranhos, temeu algo. Resolveu adentrar o corredor com sua pistola na mão esquerda. A porta no fundo do corredor estava entreaberta; era do quarto da ranzinza que vinha os ruídos questionáveis.
Abriu a porta com tamanha rapidez que recordou dos bons tempos; teve a pupila dilatada, as mãos suadas, os pelos do corpo arrepiados e a boca trêmula: o filho era homossexual – e passivo, camaradas.
Numa adrenalina vinda dum baú não mais utilizado, a velha matou o homem que estava na parte de trás do filho no susto. Matou o filho. Olhou para a última bala e deu um tiro na cabeça. Quem conta a história, é a vizinha do lado que estava na janela se excitando com a fornicada dos rapazes e acabou presenciando miolos voando pelo quarto azul turquesa da velha. A mulher no auge de seus 45 e solteirona diz: “A dona não agüentou, talvez liberdade fosse algo com a qual ela nunca soube lidar.”