segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A busca incansável pelo novo

No melhor estilo “Good times”, permaneci acordada até as três da manhã de sábado. Não me lembro ao certo qual foi a última vez que me transportei ao passado para contar detalhes. Foi delicioso, se quer saber. E o motivo de tamanha satisfação é ver que estou no lugar onde menos esperava estar, na verdade estou onde repugnava estar. Talvez nos meus desejos mais profundos, obscuros e secretos eu pensasse em algo próximo do que vivo hoje. Mas, contar para alguém? Jamais! Era o tipo da coisa que se tem vergonha de pronunciar em voz alta.

Ironias à parte, cá estou. Esperando pelo vestibular, sofrendo a ansiedade em cada micro pêlo do corpo. A falta de tempo sobra e transborda. Mas persisto, cheia de vontades e olhando para o futuro com sede dele de uma forma que nunca fiz.

Sinceramente, tenho feito somente o que nunca fiz. E tem sido bom.

Das próximas virão crônicas, contos ou algo que não fale de mim. Cansei, meu “eu” será expresso de outra maneira mais conveniente ao momento.

Continue na espera.

sábado, 18 de setembro de 2010

Contagem regressiva

O tempo está correndo demais, mas se fosse possível, talvez fosse melhor se ele corresse ainda mais nesses últimos momentos. Se querem saber, eu anseio pelo fim desse ciclo, rápido. Sei que há chances de que eu me arrependa disso mais tarde e sinta saudades. Eu sei, eu sei. Mas meu imediatismo fala consideravelmente mais alto agora. Penso que a causa disso seja o cansaço incalculável com o qual eu convivo todos os dias durante todo esse ano e principalmente agora, na reta final. “Eu quero férias!” – e de pensar que só as terei no final do mês de janeiro. Pois é, nada de estar de férias no natal e no ano novo.

Fui convencida a fazer o serviço direito só para não ter que repetir isso tudo de novo. Estou cheia de planos, cheia de vontades, cheia de idéias. Mas não tenho tempo para nada a não ser livros por agora. Triste? Aham, muito. Porém, segui o conselho da mamãe e passei a fazer mais e reclamar menos. Vale a tentativa para ver se tudo acaba mais rápido.

Estou afundando ainda mais a cabeça e colocando um ponto final. Sem vírgulas. Meio confusa, meio indecisa, mas convicta de que aguardo o fim. Quero meus novos projetos, quero mais do que me matar para receber um boletim limpinho no final do ano.

Pretendo fazer uns testes aqui no blog, à pedidos. Já estou sondando, pesquisando e investindo. Aguardem!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Efeito defeito

Descobri por esses dias uma sensação nova; carinhosamente batizei de “efeito do defeito”. Digo-lhes do que se trata: efeito do defeito é tudo de mais estúpido que aquele certo alguém faz, que não é nada sedutor ou charmoso e que te faz colocar a mão na testa, fazer cara de desacreditado por curtir aquilo, sorrir e pensar: "eu estou apaixonado, fudeu."

Desistam, não vou fugir do meu lugar comum atual. Vivo suspirando pelos cantos, arestas, ruas, mesas, cadeiras, privadas, camas, mesas e banhos. E mais abestalhada do que nunca, persistirei fielmente tentando convencer a todos a serem bocós também. Portanto, camaradas, estejam prontos para derreterem seus corações ou vomitarem.

Encontro-me num dia típico de pré-vestibulanda: dia inteiro na escola, sensação de sujeira da cabeça aos pés, almoço meia-boca, prova depois de aula e dever depois de sobremesa. Indigesto? Mais do que você imagina. Porém, como um vício frenético, essa telinha acoplada ao teclado gritou por mim e mesmo com os olhos cansados e o siso brotando dores curiosas, eu enfrentei mais leituras e letras. Admirem a força de vontade, vai!

Conclamo agora que venham comigo caso sejam adeptos do efeito defeito.

“Já passam das 23:30. Nós acabamos de desligar o telefone. Nos despedimos, como sempre. As mesmas palavras, o mesmo tom de voz. Por algum motivo eu parei para pensar no quando eu gosto disso, no quanto isso me conforta antes de dormir. Sempre que desligamos, eu me acoplo no cantinho da cama, dou um sorriso besta e acabo por dormir sem reparar. Tão bom e tão banal...

Eu fecho os olhos e penso em futuros, penso em sacanagens, penso em romances bobos e mãos dadas. Eu acordo no dia seguinte e ligo para te acordar. Escuto uns resmungos, digo que te amo. Outro sorriso besta. Pergunto-me a que ponto chega a estupidez de um ser humano apaixonado. (me dou conta, agora, enquanto escrevo, que mais ridículo do que isso não fica.)

Ficamos meio asnos, mas ainda acredito ser um playground para o coraçãozinho.

Assisto aula, vou para casa, almoço e hoje é sexta-feira(!). Uma pestana, umas lidas aqui e acolá, banho, dez peças de roupa jogadas sobre a cama. Depois de uma longuíssima (nossa!) semana, eu vou matar as saudades.

Eu gosto do seu abraço, gosto das suas orelhas e do seu pescoço. Gosto da sua falta de jeito quando derruba as coisas, gosto da suas tentativas de me agradar e acho graça da sua chatice que você nem controla porque não percebe. Eu gosto de você. Gosto mesmo.

Não gosto de despedidas, mesmo você me ligando 30 segundos depois para conversamos enquanto você anda até em casa.

Fui dormir e chorei. Chorei de problemática que eu sou. Chorei porque caiu a ficha do meu estado débil-apaixonada. Chorei porque quero ter seu abraço a hora que eu bem entender. Chorei porque não ligo para os possíveis ônus. Chorei porque achei bonitinho a bagunça que você fez para comer. Sorri porque reparei: efeito defeito.”

domingo, 15 de agosto de 2010

Motivos

Peço desculpas desde já pelo prolongado tempo sem escrever por aqui. De início também já adianto que os assuntos são muitos; não pelo tempo, não pela novidade, mas sempre pelas mil e uma coisas que borbulham quando eu escrevo. E escrever, agora, me lembra algo meio nostálgico, visto que no último mês retrocedi uns dois anos e meio, tempo este que eu desconhecia o desabafo escrito e sábio e geralmente optava pelo diálogo, que às vezes é prematuro demais para ser dito. Admito exatamente neste momento que (re)aprendi o quão sou inevitavelmente dependente das letras combinadas para que as engrenagens do cérebro e do coração funcionem juntas em devida sintonia e de forma propícia, sábia, calma e com tal especialidade que com freqüência está presente, mas que nas últimas semanas esteve ausente.

Seria mais prático que enumerasse o que tenho a dizer. Porém, não é de praxe meu ser direta, óbvia e pouco confusa frente aos cotidianos simples. Justamente e unicamente por esse motivo, eu e o meu dom com genética de defeito, deixaremos as coisas as mais complicadas possíveis.

De introdução, digo que a trilha sonora que toca no momento, ecoando dos fones para dentro de cada uma das minhas células, trata de amor. Desde o amor-fossa até o amor-sujo. Dos podres aos bons, permaneço eu e minhas músicas.

Escutamos de amor para falar de amor, ou algo semelhante a ele. Anteriormente já me perdi em dicionários e “googladas” na minha tentativa de descrever o que eu continuo crer ser indescritível. Sem fugir do clichê, sim. Falemos então do que o coração está cheio.

Com estatísticas aproximadas, pois exatidão não é o meu forte, afirmo com franqueza que pensei cerca de 5 vezes em fugir de casa e do mundo; chorei de 15 a 20 vezes por motivos tolos e não tolos; senti desespero por falta de tempo de 8 a 10 vezes; pensei em finais possíveis para a vida todos os dias antes de dormir; senti que estava apaixonada pelo menos uma vez ao dia; quis matar alguém umas 3 vezes; quis me matar 2 vezes; apelei para Deus em um quinto das vezes que chorei; senti saudades absurdas 7 vezes; senti saudades aceitáveis de uma a duas vezes na semana; quis parar o tempo umas 3 vezes; quis passar o tempo 2 vezes;nunca na vida usei tanto o telefone; nunca na vida tive tanta dificuldade para discorrer um texto; nunca na vida me senti tão feliz com um simples gesto; nunca na vida havia invertido meu humor num prazo de 5 minutos como fiz. Dados estes referentes ao último mês.

E desses e de muitos outros dados, concluo que definitivamente voltei a sentir os arrepios, a raiva, os ciúmes, o coração pular pela boca, os olhos com vontade de encher-se d’água... me entreguei novamente àquilo que eu conseguira esconder tão bem durante um ano. Entretanto, permaneço num vai e vem constante de interrogações e exclamações de fontes diferentes que afirmam e perguntam se vale à pena. No momento penso que sim, mesmo que as palavras aqui escritas acompanhem mais algumas gotículas lacrimais sem ou com sentido.

Se voltei a ser impulsiva e sentimental, digo que passei a ser chorona. Não me lembro de ser chorona... talvez uma vontade, um aperto no meio do meio do coração... mas as lágrimas não costumavam cair com facilidade. Pois bem, agora elas caem e são incontroláveis. Uma merda, não? Encontro-me aqui, numa contradição ambulante que de um lado diz detestar sentimentalismos baratos e do outro lado... bem, do outro lado há alguém totalmente perdida e desconfiada, mas inexplicavelmente apta a arriscar a cabeça em nome de um abraço apertado e aconchegante.

Chegando nesse ponto crucial, lembro-me com facilidade do porque continuo e persisto. Tem nome próprio, às vezes não presta, ás vezes irrita, ás vezes fala o que não deve. Nada que eu também não faça. O que não sei se faço é o que ele me faz.

Registro aqui meu depoimento suspeito de uma amante de bons abraços, boas conversas e bons tempos gastos: isso basta, isso vale a pena, isso me completa por hora.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Número dois - Lia

Costumava ser mais prática. Costumava ser mais esperta e mais rápida. Bem, pelo menos pensava ser. Agora, ando mais lentamente, às vezes, com freqüência considerável, eu paro. Estou parada agora. Estagnada no tempo. O movimento de fora me dá certas dores de cabeça e náuseas. Quero falar uma meia dúzia de palavrões e usar um deles para ir embora, de tal forma que não me procurem mais.
Meu nome é Lia. Simples, curto, prático – como eu era e deveria ainda ser. Mas não sou. Não mais. Infelizmente.
Não há volta, só há essa minha ida sem fim a lugar nenhum que só tem um nome próprio e estúpido que tomou minha mente. E aí eu descobri que debaixo do meu corpo tatuado existe um coração de verdade.
Pudera eu arrancá-lo, assim evitaria as lágrimas que borram minha maquiagem escura e que tornam distantes as peças do meu quebra cabeça. Pensei em pular da janela do meu quarto. Tão convidativo, mas ridículo demais. E sinto a situação ainda mais banal quando vejo que meus motivos são tolos. “Deveria só ir até a casa dele”- eu penso. Mas não posso, ou posso... Faria lá o que realmente queria e perderia a noção dos dias, das noites, do tempo...
“Ninguém notaria mesmo” – diziam meus pensamentos que tinham a maior cara de idiota que já vi na vida.
Quando dei por mim já estava dentro do táxi, depois dentro da casa dele e do quarto... e minutos depois ele estava dentro de mim. Não que eu não tivesse o hábito de fazer isso sempre, mas geralmente ocorria depois de uns goles e com um desconhecido qualquer. Mas com ele não poderia. Eu nunca me apaixonei antes e tinha asco de gente apaixonada. Ironia do destino, agora eu deito ao lado dele e não tiro os meus olhos pretos daqueles olhos azuis.
Ele levanta a acende um cigarro. Gosto da forma como ele debruça na janela para fumar. Gosto da forma como ele anda até o banheiro e liga o chuveiro. Chego de mansinho na porta, ele sorri. Segundos depois eu me entreguei de novo.
Passaram dias. Muitos até. Nenhum de nós saiu para fora daqueles três cômodos. Não ouvi as milhares de vezes que meu celular tocou, não vi o nascer e o pôr do sol. Não vi nada, só vi os grandes e profundos olhos azuis olhando para mim.

domingo, 11 de julho de 2010

Eu, de novo

Há tempos que venho adiando combinar novas letras para postar. Não falta a vontade e nem o assunto, porém. Pelo contrário, ainda tenho muito o que falar com esse meu ponto de vista egoísta que só vê meu próprio umbigo e nada mais. Não reclame você que lê, pois a intenção aqui é falar de mim de tal forma que possa vir a te envolver. E admito ter ficado bastante satisfeita nesses dias para trás quando me divertia sã em meio de bêbados conhecidos que elogiaram minha humilde tentativa de escrever textos razoáveis.
O momento é de festas e bebidas. Diferente dos meus companheiros de idade, eu não curto nem um e nem outro. Mentira, retiro. Talvez eu goste de festas para comer salgados e doces gostosos e exóticos, sem esquecer da melhor parte: enquanto como, eu assento num canto e vejo os vexames dos ”bebuns” de plantão. É, tenho pensamento de gordinha e cabeça de idosa. Festas geralmente não tocam meu tipo de música, exceto por Lady Gaga, que vem sendo a única unanimidade atual no meu top 10. Então, não danço (quase nada).
Mas mesmo com meu pensamento de gordinha, meus gostos e hábitos idosos, meu mau humor quase constante, minha bundinha flácida e a forma como não gosto de tudo que meus contemporâneos amam – incluindo praia, sol, cerveja e axé-, meu namorado ainda diz que sou uma das mais fáceis de lidar. Agradeço e aprecio, claro.
E falando em namoro, digo que as coisas, surpreendentemente, têm estado divertidas. Continuamos com nossos momentos românticos em lugares estranhos como padarias, lanchonetes, livrarias e drogarias. Continuamos dependentes do telefone e ridiculamente babacas. Mas o que me espanta é a forma como isso ainda me diverte. Talvez sejam as partes menos românticas que tornam tudo menos monótono.
Os amassos no sofá da sala com o papai e a mamãe no quarto ao lado dão motivo para risadas; a forma como reservamos os melhores beijos para a despedida na porta de casa, para que possa ser um pouco mais quente, tendo certeza de que ninguém vai incomodar; o desejo absoluto que vem deixando meus neurônios de lado, ah, isso sim é resposta para diversão.
Contrabalanceando meus novos bons hábitos “de amor”, chega mais próximo de mim a responsabilidade do vestibular. Está pertinho, cada vez mais. Aguardo agora para repor as baterias nas férias e voltar para dar a alma aos livros.
Enquanto isso, persisto curtindo meus minutos com os amigos bêbados, com o namorado teimoso, com a família esquisita. Ninguém escapa, muito menos eu.

domingo, 20 de junho de 2010

O tempo que falta, mas não faz falta

Estranho é não ter tempo para nada e ter tempo só para dois ou três e estar mal cabendo em si de sorrisos. Sem tempo para escrever, sem tempo para a TV, sem tempo para sentir-se inconfortável com os comentários do pai, sem tempo para os filmes com a família na noite de domingo. Todo esse tempo é ocupado pelo telefone, pelos livros ou pelos beijos e abraços. Sendo o primeiro e os últimos um só responsável e o segundo uma obrigação necessária, mas não mais tão desagradável.
Minhas crises comigo mesma sem sentido nenhum aumentam a freqüência e eu fico feliz por isso. Talvez seja um sinal de que eu voltei a sentir o que estava guardado no baú dos temores. Mas fico triste também, não gosto das minhas crises e não sinto saudades dos meus tempos inseguros.
Eu sei que vai passar, sempre passa. Desde que permaneçam as saudades precoces, os arrepios, os sorrisos e os ciúmes. Quem liga quando paramos, eu e ele, ele e eu, no meio da padaria, ou da farmácia, ou da livraria e nos abraçamos como aqueles casais que acabaram de se conhecer. Não, nós não acabamos de nos conhecer e temos um passado que se opõe a tudo que acontece agora. Seria inimaginável, mas está cada vez mais real e agradável.
Na minha vida de pré-vestibulanda as coisas parecem caminhar bem. Acho que tenho andado por aí esse ano com amuletos da sorte, tamanha é essa boa fase que já vem durando uns meses.
Se tenho medo de que me vire e acabe num segundo? Sim, por que não? Já disse antes que é isso que torna tudo mais divertido.
Creio que preciso aperfeiçoar minha coragem de ser menos legal, porque talvez eu não seja tão legal assim. Mas acho que estou conseguindo contornar isso bem. Que eu diga atrasada, mas diga. E quando eu não digo, ou não faço, ou pareço indiferente ou irritada, não estou. Meu silêncio ou minha cara feia não diminuem o que sinto. Talvez seja uma tentativa burra da minha razão de afastar sei-lá-o-que.
Não sinto mais falta do meu tempo, estou começando a achar divertido o tempo que tenho que não é só meu. Sendo meu e dos meus pais, meu e dos meus amigos, meu e daquele com quem gasto horas no telefone, está tudo bem. É um bom momento, devo admitir.