quarta-feira, 30 de março de 2011

Alienígena


O tempo tem corrido de mim, por isso não tenho passado muito por aqui. Mas vim em missão de paz e em busca de sossego.

Minha atual localização me provoca desconforto. Não se trata do ônibus sardinha que eu pego dia após dia. Trata-se de pessoas.

Sinto-me um peixe fora d’água. As pessoas são ótimas, majoritariamente, mas não são as minhas pessoas. Eu as quero todos os dias, a todo o momento. Principalmente às segundas-feiras. Mudanças exigem adaptação, e essas muitas vezes exigem tempo. Não sei não. A teoria me empolga, mas o social... bem, talvez seja medo. Ou saudade. É, saudade. E medo também. De perder as minhas pessoas. Gostaria de pedir que elas não fossem embora. Eu quero pessoas novas, mas algo está errado aqui e, infelizmente, eu não sei o que é.

O tempo terá que correr ainda mais...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Bagagem


Acabaram os tempos de colégio. Os tempos agora são outros, a vida universitária me espera. Depois de um ano de surto, consegui alcançar meu objetivo. Foi e ainda é uma felicidade imensa. Algo que toma conta da gente, como se cada uma de nossas células gritassem o quanto aquela vitória é pessoal e única.
Sei que tudo mudará. Até o momento não sinto falta da escola e das pessoas, afinal, aqueles que realmente gosto permanecem comigo. Aqueles que não permanecem, não merecem minhas saudades e minha amizade.
Parto para essa nova etapa levando comigo amigos. Não colegas ou companheiros de farra. Amigos. Por isso não há medo de perder contato, não há medo de lamentar a falta de alguém. Meus amigos estarão comigo, afinal, os amigos do tempo de colégio estão sempre entre os melhores amigos de toda a vida.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Um breve adeus


Os últimos meses foram loucos. Loucos de forma ambígua, devo admitir. O cansaço se misturou a tristeza de despedir-se de quem não veremos nunca mais. Misturaram-se também as alegrias das últimas músicas e dos últimos brindes juntos. E depois, um novo começo que logo teria fim. Os resultados tão aguardados, o descanso tão desejado... chegaram, todos eles.
O sentimento, assim como toda a loucura e agilidade, é também ambíguo, intenso. Um frio na barriga é impossível de ser evitado, mesmo que haja imenso fervor pela descoberta do que ainda vem por aí. Nós perdemos uma família. Daquelas em que há, inevitavelmente, os mandões, brincalhões, espertos, traidores, sorridentes, amigáveis. Daquelas em que há os parentes distantes, com os quais os assuntos travam ou rendem absurdamente quando decidem acontecer. Há também brigas, puxões de cabelo e insultos. Família é família, certo?
E é assim que me sinto. Enfrento agora caras novas, casa nova. A partir disso, não se formará uma família com a que eu acabei de deixar para trás, mas se formarão amizades e conhecimentos. E destes nascerá um futuro.

domingo, 23 de janeiro de 2011

I'll be back


De volta em 25/01/11.
Permanentemente online em http://cubomagico-c.tumblr.com/

sábado, 13 de novembro de 2010

Loja de departamentos

Estávamos no shopping. Em uma daquelas lojas de departamento, para ser mais exata. Esperávamos minha mãe terminar de fazer compras assentados na seção de sapatos. Eu com um mau humor típico de TPM e ele com tanto sono que me lembrava o Soneca.
Estávamos ali e só. Juntinhos, abraçadinhos. Ele com o nariz na minha nuca sugando todo o perfume que ali existia enquanto eu, com uma cara de bunda sem motivo, passava as unhas devagar no braço esquerdo dele. Na minha cabeça havia um vazio, na dele provavelmente não havia nada, pois devia estar quase cochilando.
Ele me contou uma versão de “Três porquinhos” que me fez rir. Contou uma versão pornô de “Chapeuzinho vermelho”. Me abraçou forte e disse que queria ficar juntinho. Disse que queria ficar juntinho para sempre. Disse que até a mãe dele acreditava que havia chances de que nosso casamento do qual ele tanto fala aconteceria. Disse que me amava.
Ele não via o meu rosto quando disse essas coisas pela posição em que nos encontrávamos. Mas eu acho que, pelo meu silêncio e por saber o quão bobona eu sou, ele percebeu que meus olhos estavam cheios de lágrimas.
Sim, eu fiquei tomada por aquelas coisas bobas que ele vive dizendo, mas que por motivo nenhum me deixaram com um buraco no peito, como daquelas vezes em que a emoção é tanta que você perde a fala. E ficamos ali, eu segurando o choro sem-sentido e ele rindo da minha cara. Ele me abraçando e eu escondendo o rosto.
Depois olhei para ele e ganhei fala para dizer que eu o amava. Ele me chamou de ridícula e perguntou por que eu tinha chorado. Aí eu percebi que era porque tudo que eu sonhava, tudo que eu queria e que duvidava que aconteceria, estava ali comigo. E não estava só naqueles dez minutos, mas tem estado por mais de seis meses. E o buraco era a minha agonia por ver que talvez eu perdi a razão de ter medo.
Eu repeti que o amava. Repeti meio apreensiva, mas sem medo. Naquela hora eu esqueci que tem muita coisa por aí que é mentira. Aquela hora passou a ser o que eu pretendo levar comigo toda vez que eu duvidar de alguém, mesmo sabendo que eu posso estar errada.
Como sempre, ele nunca permite que nossos momentos amáveis terminem amáveis. Seu comentário excessivamente masculino me fez rir e nós começamos a falar dos casos antigos dele. Nós disputamos o iogurte, fizemos bagunça, fizemos drama e nos despedimos.
Eu não sei se chorei pela TPM, mas sei que foi a primeira vez na vida que chorei por alguém sendo o motivo algo bom. Foi a primeira vez que chorei por ele sendo o motivo algo bom.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Peculiaridades (excessivas) do vestibular

Quando pensamos que tudo acabou, quando saímos exaustos depois de dois dias e 10 horas de prova e sorrimos aliviados, quando respiramos e nos preparamos para a nova fase, acontece aquilo que literalmente está para foder todo o processo. Diria que meu ano, meu último ano escolar, aquele que faz você engordar mil quilos ou ficar sem comer dias, aquele que te deixa sem dormir, desorientado e bitolado de tantas informações, pois é, logo o meu ano, o meu vestibular, teria que dar problema.
Com vendas nos olhos quanto ao que acontecerá, cabe aos pobres coitados dos estudantes arrancarem o resto dos cabelos e roerem o resto das unhas ou então desligar de tudo e tentarem ficar tranqüilos. Para o bem da minha família, do meu namorado e daqueles que convivem comigo todos os dias, optei pela aparente opção dois. No fundo, a um reina, mas o reflexo fica na minha ansiedade, na minha boca que não para de mastigar e nas minhas banhas que não param de aumentar. É, ossos do ofício.
Ainda assim, minha felicidade reina. Menor carga horária, mais tempo para os projetos paralelos e estudos direcionados para o que eu realmente gosto.
Nós estudantes, no Brasil, deveríamos ser menos acomodados e gritar aquilo que nos desrespeita. Porque o nosso presidente diz que serão feitos quantos ENEM’s forem precisos, então eu pergunto: o nosso presidente tem ciência do quanto é desgastante para nós fazer o ENEM?
Cabe a discussão, cabe o protesto e cabe dizer às autoridades responsáveis que injustiça é obrigar todos aqueles que fizeram a sua parte, que não querem refazer a prova a repeti-la por um erro que não cabe a esses estudantes. Isso sim é injustiça.

domingo, 24 de outubro de 2010

Mais um drama banal


Talvez nada pareça mais funcionar, pode ser que seja o cansaço, o estresse ou a falta de paciência frequente por aqueles mesmos motivos de sempre e que não vão mudar. O corpo responde, se cansa ainda mais, os músculos travam, olhos olhos se fecham...
Você sabe que vai passar, mas por que demora tanto? Vai e tenta se distrair. O filme fala com você, e enquanto seus pais soltam gargalhada da comedia romântica, você tem vontade de sumir. Não, melhor não. Vai procurar algo para ler. Os textos falam com você. Ok, não seja tão radical.
O tempo vai passando, e mais tarde o telefone fala com você. Mesmo que circunstâncias não estivessem agradando, você acha graça, mas só daquela vez.
Passou.
Acorda no dia seguinte, humor incrível, café da manhã reforçado, está só em casa e precisa estudar. Antes de tudo, lava o rosto com a música mais baranga que tem tocando no talo. Dança frenética, ajeita o quarto e decide só acalmar os ânimos para poder se afogar na matemática comercial e na geometria.
Quinze minutos, algumas letras digitadas e está pronta.
Passou...